Notícias
Entrevista especial com Hélio dos Anjos
Quarta-feira, 9 de Junho de 2010 16:04
Após garantir a permanência do Al Nasr na elite do futebol dos Emirados Árabes, o técnico Hélio dos Anjos aproveitou o intervalo para o início da temporada 2010/11, e a paralisação para a Copa do Mundo, para voltar ao Brasil e reencontrar os familiares e amigos. Mais do que isso, o treinador também voltou ao país para concluir a formulação da sua comissão técnica e do seu elenco de atletas. Em entrevista, ele explica ainda como foi a experiência de retornar ao futebol asiático. Confira:
Como foi retornar ao futebol oriental?
Foi muito tranquilo, pois, apesar de agora estar em Dubai, no Emirados Árabes, a experiência que eu adquiri na seleção da Arábia Saudita (2007 e 2008) me ajudou muito nesse retorno. É claro que eu notei alguma diferença, já que agora tem o dia-a-dia com os atletas, situação diferente de quando eu era técnico da seleção, pois nos reuníamos com menor frequência. Ainda assim, vivemos num ritmo muito tranquilo, os jogadores assimilaram muito bem a condução do nosso trabalho em relação ao que vinha sendo realizado anteriormente e com isso nós também tivemos condição para nos adaptarmos melhor a realidade do clube. Foi bem tranquilo, tranquilo mesmo.
Em quais aspectos o futebol árabe se diferencia do brasileiro em sua rotina de trabalho?
Há notoriamente algumas diferenças em relação ao futebol brasileiro, como, por exemplo, o relacionamento com a imprensa. Lá não temos qualquer problema, pois não temos uma cobertura tão ampla como temos aqui no Brasil. Quando temos de conceder entrevista, marcamos antecipadamente. Não é sempre que participo das coletivas após, ou até mesmo antes dos jogos, mas tudo é tranquilo, pois o ambiente do clube me ajudou muito e as pessoas de lá também. Esses três primeiros meses foram muito bons.
Houve alguma dificuldade na comunicação com os atletas?
A comunicação não é mais problema hoje em dia e, além do mais, eu tenho um tradutor que está sempre comigo. Essa questão do idioma está muito facilitada, em função até da própria população dos Emirados Árabes, que têm uma cultura mais elevada, mais até que o pessoal da Arábia Saudita. É um país diferente, com uma abertura maior e, por isso, existe uma facilidade maior para assimilar as informações. Agora, tecnicamente, eles são inferiores aos próprios árabes, mas nós já sabíamos disso. Só que é muito tranquilo, estamos trabalhando para superar tudo isso.
Como é retornar ao Brasil e reencontrar a família e os amigos?
É muito bom voltar ao Brasil, primeiramente fui para São Paulo pois é onde moram os meus filhos. O interessante é que desta vez as minhas férias vieram em um período diferente, pois há mais de 20 anos eu não tinha recesso nesse período (maio e junho). Então, quero aproveitar bem. Vou visitar a minha cidade, Janaúba e vou várias vezes para Goiânia, por conta dos negócios que tenho por lá. A intenção é aproveitar bem estes dias que temos ainda de férias no Brasil para reencontrar os familiares e alguns amigos.
Haverá uma reformulação no elenco para a próxima temporada?
Estamos contratando, fazendo uma mudança radical no quadro dos jogadores locais, porque realmente temos poucos com qualidade. Também optamos por abrir mão de três ou quatro jogadores com mais tempo de clube, com idade entre 32 e 33 anos, e começamos a investir nos estrangeiros. Realmente, a nossa intenção é levar o meia Léo Lima (São Paulo) e o atacante Felipe (Goiás). Os representantes deles já estão em comunicação direta com os dirigentes do Al Nasr e eu acredito que em breve teremos uma definição sobre esta negociação.
E na comissão técnica? Quais serão as mudanças?
Vou levar, de uma vez por todas, o Edmar Vasconcelos, que trabalhou comigo recentemente no Goiás Esporte Clube. Devemos contratar mais um profissional na área técnica para dirigir a equipe sub-20 do Al Nasr e, também, dois massagistas. Queria muito levar o Bebeto (massagista do Goiás), mas ele é um patrimônio do clube e vive uma boa situação por lá, então vou procurar outro, mas eu pretendo levar dois profissionais do Estado de Goiás. Um está trabalhando em Goiânia, já o outro, estava no Itumbiara. Com a confirmação destes profissionais, teremos, ao todo, 10 brasileiros na comissão técnica, que irão compor os departamentos médico e técnico do clube.
Nos últimos dias, circulou na imprensa a informação de que as diretorias do Sport, do Palmeiras, do Cruzeiro e até mesmo a do Internacional estavam interessadas na sua contratação. Houve mesmo alguma sondagem?
Não. Eu acho que as pessoas nem sabem que eu estou no Brasil e também não tenho condições nenhuma de discutir com alguém sobre essa possibilidade, pois assinei meu contrato com o Al Nasr até o final de maio do ano que vem e eu pretendo cumprir este acordo, apesar de saber que o futebol é muito dinâmico e tudo pode acontecer, mas, a principio, eu vou cumprir todo o meu contrato.
Estamos às vésperas da Copa do Mundo na África do Sul. Ao seu ver, qual seleção ficará com o título? Qual é a sua análise em relação aos jogadores convocados pelo técnico Dunga?
Eu não sou muito de questionar a convocação para a seleção brasileira. Cada treinador segue um princípio, o seu pensamento e a sua maneira de trabalhar. O que nós temos que fazer é respeitar a decisão do Dunga e da sua comissão técnica. Devemos apoiar e dar moral ao grupo, pois ele vai nos representar e eu tenho certeza desempenhará um grande papel. Nós temos que torcer bastante. Quando chegar a fase semifinal e final, eu já estarei em Dubai, mas espero poder ver o Brasil envolvido nestas duas fases, e queele possa brigar pelo título. É uma competição muito curta, muito difícil, com seleções muito qualificadas e disputado em um formato muito duro, que é o mata-mata, mas eu acredito no Brasil.





